(UFGD-2009) Modalidade oral e escrita da Língua
Enviado: 01 Set 2017, 21:33
Leia o trecho da entrevista a seguir feita com o linguista Marcos Bagno, conduzida pela revista Discutindo a Língua Portuguesa.
“DLP – Pode-se afirmar que a língua portuguesa é um instrumento de exclusão social?
MB – Não. A língua portuguesa assim, com artigo definido e no singular, não exclui ninguém. Talvez só os brasileiros falantes de línguas indígenas e de outras que não têm o português como língua materna. Ela [a língua portuguesa] é o elemento mais importante da identidade nacional da imensa maioria dos brasileiros. A exclusão social é provocada pela identificação dessa “língua portuguesa” com um modelo muito restrito de língua, uma idealização e ideologização da escrita literária de um punhado de escritos selecionados a dedo por meia dúzia de gramáticos. Quando o aluno chega na escola (“na escola”, porque na gramática do português brasileiro as pessoas chegam “em” algum lugar), se vê confrontado com uma coisa chamada “português” que não corresponde em nada à sua intuição lingüística, nem mesmo ele sendo oriundo das classes médias urbanas. Ali ele vai descobrir que é preciso dizer “chegar à escola”, ou que vendem-se casas (como se as casas pudessem vender a si mesmas!) e outras regras que compõem um modelo antiquado de português correto, que não corresponde sequer à prática dos nossos melhores escritores dos últimos cem anos ou mais. O que exclui é querer convencer alguém que é errado dizer “eu custo a crer”, quando isso aparece em textos de José de Alencar (que morreu em 1877!) ou que é preciso “imitar os clássicos”, mas que, ao mesmo tempo, é errado usar, como Machado de Assis usou, o advérbio “meia” no feminino (“Filomena era meia sem-graça”), como se faz na língua há mais de mil anos!”
Marque a proposição correta.
(A) Na frase “[...] se vê confrontado com uma coisa chamada 'português' que não corresponde em nada à sua intuição linguística”, pode-se inferir que a variedade do português ensinado na escola desconsidera o conhecimento intuitivo dos falantes sobre a língua.
(B) Segundo o entrevistado, as construções “chegar à escola” e “chegar na escola” correspondem, respectivamente, à modalidade escrita e à modalidade oral da língua portuguesa.
(C) Segundo o entrevistado, a regra gramatical que considera correta a construção “vendem-se casas” é lógica.
(D) Na frase “Talvez só os brasileiros falantes de línguas indígenas e de outras que não têm o português como língua materna”, o sujeito do verbo “têm” é “línguas indígenas”.
(E) Os termos “idealização” e “ideologização” podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por “deformação” e
“corrompimento”, respectivamente.
Qual o erro da B)? Pelo texto, até parece ser ela como correta, e também o texto não diz que a escola ensina variedades do português, como diz na A), e sim que ensina a norma culta.
“DLP – Pode-se afirmar que a língua portuguesa é um instrumento de exclusão social?
MB – Não. A língua portuguesa assim, com artigo definido e no singular, não exclui ninguém. Talvez só os brasileiros falantes de línguas indígenas e de outras que não têm o português como língua materna. Ela [a língua portuguesa] é o elemento mais importante da identidade nacional da imensa maioria dos brasileiros. A exclusão social é provocada pela identificação dessa “língua portuguesa” com um modelo muito restrito de língua, uma idealização e ideologização da escrita literária de um punhado de escritos selecionados a dedo por meia dúzia de gramáticos. Quando o aluno chega na escola (“na escola”, porque na gramática do português brasileiro as pessoas chegam “em” algum lugar), se vê confrontado com uma coisa chamada “português” que não corresponde em nada à sua intuição lingüística, nem mesmo ele sendo oriundo das classes médias urbanas. Ali ele vai descobrir que é preciso dizer “chegar à escola”, ou que vendem-se casas (como se as casas pudessem vender a si mesmas!) e outras regras que compõem um modelo antiquado de português correto, que não corresponde sequer à prática dos nossos melhores escritores dos últimos cem anos ou mais. O que exclui é querer convencer alguém que é errado dizer “eu custo a crer”, quando isso aparece em textos de José de Alencar (que morreu em 1877!) ou que é preciso “imitar os clássicos”, mas que, ao mesmo tempo, é errado usar, como Machado de Assis usou, o advérbio “meia” no feminino (“Filomena era meia sem-graça”), como se faz na língua há mais de mil anos!”
Marque a proposição correta.
(A) Na frase “[...] se vê confrontado com uma coisa chamada 'português' que não corresponde em nada à sua intuição linguística”, pode-se inferir que a variedade do português ensinado na escola desconsidera o conhecimento intuitivo dos falantes sobre a língua.
(B) Segundo o entrevistado, as construções “chegar à escola” e “chegar na escola” correspondem, respectivamente, à modalidade escrita e à modalidade oral da língua portuguesa.
(C) Segundo o entrevistado, a regra gramatical que considera correta a construção “vendem-se casas” é lógica.
(D) Na frase “Talvez só os brasileiros falantes de línguas indígenas e de outras que não têm o português como língua materna”, o sujeito do verbo “têm” é “línguas indígenas”.
(E) Os termos “idealização” e “ideologização” podem ser substituídos, sem alteração de sentido, por “deformação” e
“corrompimento”, respectivamente.
Qual o erro da B)? Pelo texto, até parece ser ela como correta, e também o texto não diz que a escola ensina variedades do português, como diz na A), e sim que ensina a norma culta.