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(UNIFOR-2011)- Modernismo

Enviado: 12 Mai 2021, 11:14
por Literária
O rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a
imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás
de casa.
Passou um homem depois e disse: Essa volta que o
rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que
fazia uma volta atrás de casa.
Era uma enseada.
Acho que o nome empobreceu a imagem.
BARROS, Manoel de. O livro das Ignorãças. Rio de Janeiro: Record, 1994


Em todos os poemas de O Livro das Ignorãças há a ideia de desinventar coisas e palavras, deixá-las sem definição; permitir que simplesmente sejam, sem que haja nomes para aprisioná-las num mundo de conceitos, que se tornam cada vez mais gastos e pobres. Nesse poema XIX, pode-se dizer que o poeta
a)julga inferior o conhecimento sistematizado e o toma como ignorância.
b)apenas remete a um desconhecimento prévio dos conceitos e significados, sem reflexão sobre a poesia.
c)há a busca pela linguagem comum que se aproxime mais da coisa em seu estado bruto.
d)recusa a referencialidade na busca pelo poético.
e)divaga para mostrar a desnecessidade de conceitos no mundo prático
Resposta

D
Poderiam explicar o erro das demais alternativas?

Re: (UNIFOR-2011)- Modernismo

Enviado: 14 Mai 2021, 11:13
por Menitham
Literária, Quando se quer buscar o poético, é preciso abandonar qualquer ideia de ciência ( geografia) ou idealismo, e buscar no cultural a interpretação da coisa no mundo. A Terceira geração Modernista seguia as tendencias da pós-modernidade de Heidegger e Sartre, sobre o empobrecimento do mundo com ideias cada vez mais cientificas sobre tudo, inclusive sobre as experiencias existenciais de cada um.

A partir disso, percebe que as outras questões so apontam para a necessidade de mais definiçoes sobre o que é uma experiência, deixando mais longe ainda da experiencia imediata e existencial da coisa.
Lembrando a preocupação da terceira geração do modernismo com o exercicio da palavra seja na poesia, seja na prosa. A lapidação da palavra so serve quando é usada para agregar valor cultural significativo, despertar a curiosidade. Tirar significado imediato, comparar o rio a uma grande serpente que corta a floresta por um nome cientifico, é empobrecer seu significado cultural e existencial.